Mais a visão se aprofunda,
mais estrelas se percebem,
na escuridão...

9 de fevereiro de 2021

Não me regem ideologias


Um solene não às de esquerda e às de direita,
extremas ou moderadas.
E mais outro às de centro,
tendentes a quaisquer direções.
 
Meras obras de terceiros,
coletâneas de crenças, valores, preceitos,
permeadas de auto-evidências não-factuais.
 
De todas conheço as entranhas,
as variantes, as minúcias, as nuances.
 
Utopias incongruentes, mentirosas sonsas,
espoliadoras, abusivas, patrulhadoras. 
 
Aglutinando
políticos podres,
jornalistas imorais,
cientistas de aluguel,
minorias prepotentes,
togados autodeificados,
oportunistas à espreita,
tech giants manipuladoras. 
Corja simbiótica repugnante,
a defecar retórica, sofismas,
anti-preconceitos travestidos,
normas, protocolos, restrições,
crimes fabricados, perseguições,
narrativas distorcidas da realidade,
a instituir progressistas diabocracias,
igualitárias privilegiaturas perpétuas,
imperium orbis terrarum de esperteza,
fisiologismo, libertinagem, decadência,
empáfia, mediocridade.
 
Não me regem ideologias,
mas somente o pensamento livre,
a perscrutar suas intenções ardilosas,  
a decifrar suas entrelinhas subliminares,
a engendrar e proferir palavras de insurreição,
a dissecar, salgar e expor suas vísceras fétidas.
 
fevereiro.2021
 
Texto dedicado também àquela maioria adoentada pela obsessão de polarizar, 
à revelia da inteligência, dos fundamentos e argumentos dos seus interlocutores.