Mais a visão se aprofunda,
mais estrelas se percebem,
na escuridão...

15 de setembro de 2019

Não me ignore


(Antes de ler este texto, clique na imagem, observe, reflita um pouco.)

Sabe aqueles textos (talvez este, inclusive) que você deveria ler atentamente, ao menos em respeito e apreço por quem dedicou tempo e neurônios a lhe escrever, mas preferiu "ler diagonalmente", captando apenas fragmentos do conteúdo, chegando a conclusões erradas, ou a conclusão nenhuma?

Sabe aquelas conversas em que você praticou "audição seletiva", desconsiderando palavras "pouco relevantes", mesmo quando enfatizadas pelo interlocutor?

Sabe aquelas pequenas contradições que lhe escaparam, evidenciando certas "mentiras brancas" desnecessárias?

Sabe aqueles comentários atropeladores, emitidos antes de ouvir toda a frase, porque "você já sabia" o que a outra pessoa iria dizer?

Sabe aquela "irritação sem motivos", que ocasionalmente certas pessoas "metódicas demais" mal disfarçam ao conversar com você?

Sabe aquele trecho de bula que você não leu, no afã de se automedicar rapidamente?

Sabe aquele manual que você nem abriu, antes de tentar usar o novo aparelho eletrônico que, infelizmente, "se recusou" a funcionar direito?

Sabe aquele roteiro técnico que você decidiu executar baseando-se somente nas figuras, desdenhando instruções textuais que engenheiros "minuciosos demais" formularam a partir de medições, cálculos, normas e conhecimentos técnicos "pouco importantes"?

Pois é...
Eu resido em todos esses eventos e contextos
e em muitos mais...

Tenho enorme valor para quem preza clareza, rigor, precisão, verdade, atributos sem os quais nada de útil e duradouro se constrói.

Posso contribuir para:

- evitar enganos;
- preservar a sua segurança e a de terceiros;
- enriquecer o seu relacionamento com as pessoas;
- aprimorar a sua cultura e o seu aprendizado de vida;
- e muito mais...

E posso também causar:

- frustração imediata e posterior;
- progressivo desalento naqueles que se comunicam com você;
- danos, prejuízos e até tragédias;
- e muito mais...

Não me ignore.
Meu nome é detalhe.

Janeiro - Agosto 2019

7 de setembro de 2019

Roteiro da felicidade...


Naquele tempo...

As comunicações transitavam por labirintos de linhas telefônicas, extensões, ramais, troncos-chave.

Na empresa, as chamadas eram recebidas por uma mesa de PBX.
A telefonista as transferia para a secretária que, devidamente orientada, "filtrava" aquelas que eu não gostaria de atender.

Os problemas a resolver chegavam continuamente à minha "caixa de entrada" e era necessário entregar soluções em minha "caixa de saída".

Nas reuniões, um sofrimento, era direito de qualquer participante ter a certeza de estar sendo ouvido e compreendido.

Quase insuportáveis o tempo e a atenção despendidos em leitura, escrita, telefonemas, contatos presenciais.

Sentia-me oprimido por aquilo tudo.


Com a chegada dos celulares...

As pessoas ganharam acesso direto, umas às outras.

Em vez de escrever, muitas já preferiam "economizar tempo" resolvendo assuntos diretamente por telefone, o que me dispensava da tarefa de leitura e lhes dava a vantagem de não deixar registrada alguma assertiva, talvez mal formulada, que quisessem desdizer posteriormente.

E o serviço de SMS, embora mais imediatista, não demandava respostas muito elaboradas.

Passei a poder me desconcentrar durante as reuniões, a pretexto de atender a chamadas de celular.

Havia, sim, os intransigentes, como certo consultor de TI, sujeito irascível, que chegou a se retirar de reuniões, apenas porque eu atendia a algumas chamadas demoradas.


Com a chegada da Internet...

O serviço de emails permitia postergar leituras e respostas "mais complicadas".


Finalmente...

Vieram os smartphones, com os seus aplicativos de comunicação, Internet, redes sociais e tudo o mais.

Essas tecnologias me libertaram.

Ninguém mais exige, ou faz por merecer, atenção exclusiva.

Agora, sou capaz de conversar com uma ou mais pessoas, presencialmente ou por telefone, enquanto troco mensagens pelo WhatsApp, acompanho as redes sociais, leio notícias etc.

Ademais, posso separar "para ler depois" (ou "deixar pra lá", por decurso de prazo) tudo o que possa exigir maior empenho mental ou emocional, esperando que as pessoas, por consideração ou esquecimento, acabem nem me cobrando as respostas.


Dispersivo?
Displicente?
Negligente?
Autocêntrico?
Pouco importa.
Hoje, sou uma pessoa feliz!

Tema: Novembro 2018 - Texto: Julho 2019
©Alfredo Cyrino / Indigo Virgo®



Texto relacionado: Precisam de rehab

31 de agosto de 2019

Sem escapatória...


- Você está nervoso?

- Não, não estou nervoso.

- Acho que está, sim. Conheço esse tom de voz.

- Estou até sorrindo. Como poderia estar nervoso?

- Isso é sorriso de nervoso.

- Já disse, não estou nervoso.

- Ah! Você está sim.

- Não! Eu não estou nervoso.

- Olha só! Claro que está nervoso.

- Pois é... Agora estou ficando nervoso.

- Eu sabia! Você já estava nervoso.

- Não, não estava. Só agora estou ficando...

- Conheço você... Sei que já estava nervoso.

(...tensão no ar...)

- Por favor, podemos parar com isto?

(...breve silêncio...)

- Sim, podemos.
- Não quero mais conversar.
- Você anda muito nervoso.

(...longo silêncio...)


Março - Agosto 2018

11 de agosto de 2019

Asas de libélula


Caminhando pelo corredor externo da casa, quase madrugada.
Luzes apagadas, lua brilhando muito forte.

Há algo pequeno e brilhante no chão, um reflexo furta-cor, junto à parede. Não identifico bem a sua forma.

Mais próximo, vejo uma libélula, imóvel.
Aparenta estar perfeita.
Seus olhos enormes parecem fitar a lua.
Não pode estar morta.

Contemplo aquele ser perfeito,
com a ilusão de que subitamente irá voar para longe.
Nada acontece...

Por que esse parar de vida solitário,
esse momento final, chegado como inesperado adormecer?

Coloco-a cuidadosamente sobre a palma da mão e a conduzo ao jardim,
onde a deixo "pousada" sob as plantas de uma jardineira,
para que se cumpra o seu regresso à Mãe Natureza.

Asas de estrutura admirável,
que riscaram o ar milhares de vezes,
sobrevivendo a chuvas e ventos,
levando beleza e energia exuberantes a lugares inexpugnáveis,
agora irremediavelmente quietas, diluindo-se no tempo.

O que vieram me dizer?

Evento: 27.04.2002
Texto: agosto.2019

31 de maio de 2019

Canción de reencuentro


Cuando, serena niña,
adormeces en mis brazos,
soy el padre que te acaricia el rostro
y escribe la pequeña oración
que encontrarás por la mañana,
en la palma de tu mano derecha.

Cuando, hombre angustiado
por las noches de estos tiempos,
murmuro silenciosamente
miríada de dudas y miedos sin fin,
eres la amiga que llora y ríe conmigo
y me abrazas el alma
y te haces la mujer que tengo y me tiene,
soledad y presencia derramándose
en pétalos y vientos y cristales,
novia eterna de un eterno rebelde,
amada y redescubierta,
siempre y siempre.

(para Jussára)

27.05.2019 - 03:57h



Canção de reencontro


Quando, serena criança,
adormeces em meus braços,
sou o pai que te acaricia o rosto
e escreve a pequena prece
que encontrarás pela manhã,
na palma da tua mão direita.

Quando, homem angustiado
pelas noites destes tempos,
murmuro silenciosamente
miríade de dúvidas e medos sem-fim,
és a amiga que chora e ri comigo
e me abraças a alma
e te fazes a mulher que tenho e me tem,
solidão e presença derramando-se
em pétalas e ventos e cristais,
noiva eterna de um eterno rebelde,
amada e redescoberta,
sempre e sempre.

(para Jussára)

27.05.2019 - 03:57h


12 de março de 2019

Não se espere...


Diante de palavras
precipitadas, equivocadas, infundadas,
injustas, maledicentes, auto-enaltecedoras,
inquietando a quietude que escolhi exercer,
jamais se espere de mim silêncio indulgente,
mas sim o próprio silenciamento
pelos argumentos e memórias indeléveis
que sempre haverei de coligir,
e pelos perversos espelhos
que sempre haverei de exibir.

Palavras reincidentes 
jamais vencerão esta obstinação.

12-marco-2019

10 de março de 2019

Andar para frente


Não mais o desalento,
quando as pessoas parecerem "andar para trás",
pois podem ter sido inócuos os meus esforços,
e apenas uma arrogante ilusão minha
o "andar para frente"

Aceito definitivamente  
ser incapaz de modificar nas pessoas
aquilo que competiria a elas mesmas,
segundo seu desejo de evoluir,
ou não.

08-mar-2019

24 de fevereiro de 2019

Eles espreitam


Em sua nau sombria,
seguem silenciosamente
os três espectros corsários,
derramando sortilégios ao mar,
semeando rajadas e vagalhões,
perseguindo naves incautas,
ansiando pelo momento da abordagem,
para lançar arpões de clarividência encenada,
aprisionar com ganchos e cordas e redes hipócritas,
arrastar para suas águas fétidas, traiçoeiras,
onde poderão mais saquear e fazer soçobrar,
ante sua  bandeira de mentiras,
escárnio e desdém.

Cuidado!
Eles espreitam.


(Advertência às potenciais novas vítimas de três seres abjetos.)
 Texto relacionado: Muitos cíclicos anos novos
  
fevereiro.2019

17 de fevereiro de 2019

Anjos da noite


À noite, nos libertamos
e agimos sós, um só, vivos.
Dominamos cada momento e, extasiados,
podemos estender os braços e colher estrelas,
ou um punhado de areia, vivo.

Somos donos de um pedaço do universo,
dele todo, ou de nada.
Força pulsante, chama e oceano, nós.

Percorremos as assembléias dos homens
e derramamos a paz nos ambientes.
Corrigimos enganos da existência
e consertamos seres maltratados, adormecidos.

Sabemos o amor
e os breves toques de lábios nas faces, à noite.

Arrancamos das frestas escuras a felicidade,
para forjá-la e realizá-la a sós,
com desespero de poetas.

Geramos idéias e soluções,
imploramos ao trigo que cresça,
construímos ferramentas que as mãos do homem
haverão de marcar pelo uso.

Somente durante a noite,
rasgamos a solidão do convívio geral
e bastamos um ao outro,
preparando a mística da vida iminente.

E, quando o dia ameaça despertar o mundo inerte,
conseguimos ainda correr ao lado das ondas
e devolver as últimas estrelas, do peito para o céu,
antes de retornarmos aos dois corpos
que descansam abraçados.

(para Jussára)

década de 80

11 de fevereiro de 2019

Reconhecer...


Ao reconhecermos nossos erros, 
cometidos por atos, atitudes, intenções,
palavras, omissões, sentimentos...

Ao procurarmos mitigar os seus efeitos...

Perdemos uma das ilusões que nos são mais caras:
a de sermos perfeitos.

(Há também aqueles que,
"satisfeitos" com os seus erros,
sequer nutrem tal ilusão.)

jan - 2019

3 de fevereiro de 2019

Inconfidentes da palavra


Via crucis de um País,
dos Impérios à Republica sempre em construção,
dos muitos tropeços à democracia que soçobrou
no sofrimento da massa maltratada,
desassistida, instigada e dividida,
encabrestada a preço vil,
acreditando e rindo e chorando,
idolatrando seus algozes,
caterva espoliadora,
súditos da coroa apedeuta,
destruindo futuros e esperanças.

Buscando ainda a redenção,
pelas mãos e vozes dos inconfidentes da palavra ética,
crítica, inconformada, cáustica, envenenada,
patrulhada, mas persistente, nunca desalentada,
enxotando a diabocracia, finalmente,
de volta às trevas que a originaram.

novembro 2018 - janeiro 2019

9 de janeiro de 2019

Meu amor


É fé e esperança,
luta diária e persistência,
dedicação e cuidado.

É força e sabedoria,
incentivo e paciência,
compreensão e compromisso,
cumplicidade.

É história imemorial,
minha mãe e minha criança,
alegria constante,
bênção da minha vida.

(dedicado a Jussára)

fev.2018 - jan.2019