Mais a visão se aprofunda,
mais estrelas se percebem,
na escuridão...

5 de setembro de 2012

Anotações esparsas de um diário de bordo


Ah, amada feita de vento e chuva e flores,
alma luminosa que o tempo abranda, mas não vence,
amante de uma vida, parceira de lutas.

Quantas vezes foste barco e vela e leme,
vencendo as ondas que não percebi,
para que meus olhos repousassem depois
na bruma calma.

Quantas noites fui lanterna solitária,
a murmurar cantigas de guardar teu sono,
perscrutando na escuridão estrelas e futuro,
assestando a nave que te entreguei com o sol.

Quanto oceano já singramos,
entre os portos do tempo visitados,
quantos faróis ilusórios perseguidos,
quantos barcos cruzaram nossos rumos,
quantos náufragos pelo caminho recolhidos,
ou perdidos.

Da distante manhã de corações e idéias,
viajantes lançados ao horizonte
em que tantos filhos, de tantas vidas,
gerados ou acolhidos,
nos miram agora a esperar,  
sempre soubemos...

Ah, essencial amada,
te quero ainda assim, já feita de mim e de ti,
até o vento cessar, até não haver mais
espera, viagem, horizonte, tempo.

 (Para Jussara, em 14-jun-2009)