Conduzem suas vidas distantes de atos altruísticos, ações voluntárias, exposições pessoais desnecessárias.
Fogem, apavoradas, de doentes, desassistidos, agredidos, traficados, torturados, explorados, vilipendiados: homens, mulheres, crianças, jovens, idosos, animais, o que seja.
Concedem-se praticar jargões politicamente corretos, manifestar consternação oportuna e convincente, apenas em medida suficiente à garantia da imagem livre de críticas.
Maior intensidade seria dispêndio inútil de energia.
Consideram o planeta indestrutível, inesgotável, absolutamente auto-regenerador, propriedade a ser explorada sem respeito pelos seus demais ocupantes.
Com inescrupulosa maestria, evocam a ética, distorcem valores, passam-se por benfeitoras ou vítimas, enquanto furiosamente rotulam o pensamento divergente, sofismam, formulam as teorias conspiratórias que suas bocas-de-bate-estacas pronunciarão ad nauseam.
Defendem um imaginário Estado democrático e enxuto, mas paradoxalmente onisciente, onipotente, provedor de todas as soluções em que jamais se envolveriam de maneira proativa.
Pagam tributos, pagando a consciência, em nome da desobrigação.
Não as incomodam, de fato, as mazelas do Estado real, corrompido, degenerado, decadente, conquanto não lhes atinjam as conveniências.
Conhecedoras das próprias verdades, vestem posturas e atitudes ensaiadas até que o espelho lhes mostre pessoas genuínas, abnegadas, compassivas.
Jamais proferem aquelas palavras simples...
Desculpam-se ou agradecem através do silêncio.
Extremo oposto, interferentes obstinadas ousam fazer o que precisa ser feito.
Entretanto, a Criação parece expressar imensa insatisfação para com interferências nos desígnios infernais já traçados para os abandonados, doentes, desassistidos, agredidos, explorados, traficados, torturados, vilipendiados.
Preparou então o purgatório em que as interferentes são premiadas com dificuldades materiais, constrangimentos, humilhações, obstáculos de toda sorte à realização de suas interferências.
Destinou-lhes, ainda, a crítica, a arrogância e o escárnio boçal dos preguiçosos morais, a quem consentiu assentar comodamente suas crédulas bundas em inexpugnáveis troninhos de "coroas da criação".
Um desafio e um teste, ambos de péssimo gosto.
Aceito o primeiro.
Ignoro o segundo.
10/04/2011- rev. fev/2012 (original)

2 Comentários:
ACEITO O PRIMEIRO E ABOMINO O SEGUNDO, CY!
MAS UM DIA CHEGO LÁ... IGNORAR É MAIS SÁBIO!
NOTA MIL, QUERIDO AMIGO, COMO TUDO O QUE VOCÊ ESCREVE!
BEIJÃO, ANITA DRIEMEIER
Perfeito!
Conseguiu descrever, com perfeição, os dois tipos de gente que compõem nossa sociedade:
Os que SÃO realmente gente, os interferentes, IDEAL DO SER HUMANO, em evolução espiritual. E os que TÊM( OU VIVEM PRA MOSTRAR QUE TEM), os não-interferentes, espertalhoes,que sempre se dão bem. Estes, na verdade, nem sabem...mas o que eles TÊM ,realmente, é uma pobreza de espirito imensa, TÊM falta de amor, TÊM ausência de essência. Estão bem longe do IDEAL DE SER HUMANO.
Esse texto, com certeza, deve ter incomodado muita gente...a carapuça deve ter servido em muitos não-interferentes...
Parabéns pelo texto, pela coragem em abordar um assunto tão importante e necessário de discussão.
A EVOLUÇÃO DO SER HUMANO É ESSENCIAL E URGENTE!
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