Mais a visão se aprofunda,
mais estrelas se percebem,
na escuridão...

23 de fevereiro de 2012

Etéreos náufragos


Guardo,
no coração de marfim,
tudo o que me trazem,
o que não peço ou mereço,
o que jamais teve preço,
tudo o que me fazem
de bom ou ruim.

Guardo,
nos calabouços da mente,
tudo o que me ensinam,
o que não vi, mas conheço,
o que sei desde o começo
dos mistérios que alucinam,
do que ninguém mais sente.

Guardo,
nos labirintos da alma,
o que me toca e me fere,
o colorido da existência,
o dolorido da essência,
tudo o que me impele,
consome, ou acalma.

Faço
dos astros frios morada,
da noite quieta jornada
da consciência a singrar,
do pensamento a rasgar
vagas e bruma, no escuro,
etéreos náufragos procuro.

fev/2012